Sem categoriaImportância da cultura alemã para a cervejas no Brasil

3 de maio de 2019by Lucas0

Importância da cultura alemã para a cervejas no Brasil

Os primeiros registros da fabricação de cerveja situam-se na antiga Suméria, na Mesopotâmia, por volta de 4000 a.c. Produzida por meio de grãos de cevada germinados, moídos, misturado com água e assado. Do pão resultante eram retirados pedaços que eram deixados em água, ocorrendo então a fermentação alcoólica que gerava a cerveja.

Pouco antes do início da era cristã, os povos germânicos descobriram a existência da cerveja.

Com o colapso do império Romano, no século V, os monges foram os únicos que preservaram a cultura escrita. Dentre os conhecimentos preservados, estavam os métodos de fabricação de cerveja que, até então até, era uma atividade familiar como cozer o pão ou fiar o linho.

Os mosteiros tornaram-se grandes produtores de cerveja durante a idade Média, entre eles, o mosteiro beneditino alemão Weihenstephan, perto de Munique, que é considerado a mais antiga cervejaria em funcionamento no mundo, tendo recebido autorização real para funcionar em 1040.

A cerveja tornou-se a bebida preferida dos alemães.

A introdução da bebida no Brasil começa com a chegada de Maurício de Nassau ao Recife em 1637, mas teve a ampliação de venda a partir de 1808, com a vinda da família real portuguesa, pois consta que o rei consumia muito a bebida.

Com o decreto da abertura dos portos às nações amigas foi abolido o monopólio comercial luso, beneficiando, até 1814, exclusivamente a Inglaterra, que praticamente monopolizava o comércio com o Brasil, fazendo com que a cerveja consumida aqui, de qualquer origem, fosse introduzida com exclusividade por aquela nação.

De 1829 a1830, são criadas as primeiras colônias alemãs em Santa Catarina e no Paraná, sendo elas São Pedro de Alcântara, Mafra e Rio Negro. Após 1845, a imigração foi retomada, com a fundação de uma colônia alemã no Rio de Janeiro, em Petrópolis. No Sul, os assentamentos alemães de São Leopoldo avançavam sobre o vale do rio dos Sinos e em Santa Catarina surgiram três novas colônias nos vales dos rios Cubatão e Biguaçu. A terceira e última fase da imigração alemã se deu de 1914 a 1960.

Os descendentes de imigrantes alemães que se fixaram nas colônias rurais do Brasil durante o século XIX acabaram por criar uma identidade teuto-brasileira. Embora nascidos no Brasil, esses colonos mantinham laços culturais estreitos com a Alemanha natal: a língua alemã era falada pela maioria e os hábitos continuavam os mesmos.

A onda migratória alemã para o Brasil influenciou de maneira marcante a gastronomia, a moda, a arquitetura, trazendo uma rica herança cultural e junto com ela o gosto pela cerveja.

A produção de cerveja no Brasil começou discreta. Em 1830 os imigrantes começaram a produzir cerveja artesanal, mas apenas para o consumo da família. Considerada na época uma atividade culinária, a produção da cerveja era de responsabilidade das mulheres. Somente a partir de 1835, com mão de obra escrava e de empregados é que as famílias passaram a produzir a bebida para vender no comércio local.

As primeiras cervejas, no Brasil, eram produzidas sem marca alguma e a venda era feita no balcão e na própria cervejaria.

Logo, algumas atingiram grande escala de produção, como a do imigrante alemão Henrique Kremer, que se tornou Imperial Fábrica de Cerveja Nacional em 1876 e, em 1898, passou a se chamar Cervejaria Bohemia.

A Cervejaria Bohemia foi a primeira fabricante de cerveja do país, fundada em 1853 na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro e preservou as características das cervejas alemãs da época, com uma produção inicial de seis mil garrafas por mês.

Desde que se iniciou a produção de cerveja no Brasil, algumas cervejarias marcaram a história da bebida no país. Elas surgiram no Sudeste e no Sul do país: Cervejaria Brasileira (RJ, 1836), Henrique Schoenbourg (SP, 1840), Georg Heirich Ritter (Nova Petrópolis/RS,1846), Henrique Leiden (RJ, 1848), Vogelin & Bager (RJ, 1848), João Bayer (RJ, 1849), Gabriel Albrecht Schmalz (Joinville/SC, 1852), Henrique Kremer (Petrópolis/RJ, 1854) E Carlos Rey (Petrópolis/RJ, 1853).

No Rio Grande do Sul, em 1854 na região de São Leopoldo, havia seis fábricas de cerveja. Em 1868 a fábrica de Christoffel em Porto Alegre já vendia mais que as cervejas importadas da Inglaterra, Alemanha e Dinamarca.

Em Juiz de Fora em 1861 o imigrante alemão Sebastian Kunz abriu a primeira cervejaria de Minas Gerais, a Cervejaria São Pedro.

Em Santa Catarina o desenvolvimento cervejeiro foi impulsionado pelos imigrantes alemães. A evolução ano a ano das indústrias na Colônia Blumenau, mostra que de 1856 a 1860 havia somente uma fábrica de cerveja, em 1861 havia duas, de 1862 a 1865 eram três, em 1866 a quantidade duplicou, passando a seis, em 1867 a oito e em 1868 dez fábricas de cerveja.

A cerveja artesanal brasileira ganhou mais força no final do século XIX, quando o aumento dos impostos inviabilizou a importação da bebida. A partir de então, a bebida já muito consumida, passou a ser produzida em escalas maiores, empregando funcionários e crescendo cada vez mais.

Em Minas Gerais a revolução da cerveja artesanal começou em Juiz de Fora em 1861 com a chegada e dos alemães e retomou em 1998 com a vinda da fábrica alemã da Mercedes-Benz.

No Rio de Janeiro, no ano de 2016, aproveitando o embalo do mercado de cervejas artesanais no Brasil, a cervejaria Rio Carioca se aventura, sendo a primeira cervejaria artesanal do Brasil a veicular um comercial em um canal aberto de televisão.

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